Curitiba, PR – O mercado de veículos novos no Brasil enfrenta um cenário de pressão em 2025, impulsionado, em grande parte, pela persistente alta da Taxa Selic, a taxa básica de juros da economia. Embora o setor automotivo tenha mostrado resiliência e, em alguns meses, até mesmo um crescimento nas vendas totais em comparação com o ano anterior, o custo elevado do crédito continua a ser um obstáculo significativo para o consumidor e para a recuperação plena do mercado.
A Taxa Selic, definida pelo Banco Central, funciona como a referência para todas as outras taxas de juros no país, incluindo as aplicadas em financiamentos de veículos. Com a Selic em patamares elevados – que, em meados de 2025, tem oscilado em torno dos dois dígitos, com projeções que a colocam acima de 13% e até 14,75% ao ano em alguns momentos –, o custo de captação de recursos para os bancos aumenta. Isso se reflete diretamente nas taxas de juros dos financiamentos de veículos, tornando a compra a prazo mais cara e, consequentemente, menos acessível para grande parte da população.
Historicamente, o financiamento é a principal modalidade de aquisição de veículos no Brasil, representando uma fatia considerável das vendas. Nos últimos anos, observou-se uma inversão nessa proporção devido à escassez de crédito e ao alto custo de financiamento, com mais vendas à vista em períodos de juros muito altos. Mesmo com o mercado total registrando um crescimento de 16,2% em maio de 2025 em comparação com maio de 2024 (período que teve a influência das enchentes no Rio Grande do Sul), a Fenabrave (Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores) e analistas do setor observam que o varejo tem sofrido retração no tíquete médio dos financiamentos.
Essa retração sinaliza que os consumidores estão sentindo o impacto das taxas de juros elevadas e de outros fatores macroeconômicos, como o recente aumento do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) em alguns momentos. O presidente da Fenabrave, Arcelio Junior, expressou preocupação com os resultados dos próximos meses, indicando que, apesar do crescimento geral, a pressão no financiamento é uma constante.
Para quem busca comprar um carro, o cenário atual impõe um dilema. Se a Selic permanece alta, as parcelas dos financiamentos podem se tornar proibitivas, elevando significativamente o custo final do veículo. Isso leva muitos consumidores a adiar a compra ou a migrar para o mercado de veículos usados, que, embora também impactado, tende a ter um custo de aquisição mais baixo.
As montadoras e concessionárias, por sua vez, buscam estratégias para contornar o cenário. A oferta de promoções, a busca por novas modalidades de crédito e a diversificação de produtos (incluindo modelos de entrada mais acessíveis e veículos eletrificados que podem ter incentivos) são algumas das abordagens para manter o mercado aquecido.
Enquanto a economia brasileira lida com a inflação e a política monetária de juros altos, a expectativa para o mercado automotivo em 2025 é de um crescimento mais moderado, impulsionado, em parte, pela demanda reprimida e pela renovação da frota, mas constantemente desafiado pelo custo do crédito. A resiliência do setor será posta à prova, exigindo adaptação contínua às condições financeiras do país.
